terça-feira, 26 de abril de 2016

Saudade Não Mata, Mas Maltrata

Sei que quando ela foi embora
Eu fiquei aqui mesmo chorando
Sozinho eu me peguei pensando
Aguardando chegar a hora
Mas eis que o tempo demora
O tempo de vê-la presente
E não me deixa ficar contente
A tal da distância, essa ingrata
Saudade não mata, mas maltrata
Coração de quem ama e vive ausente

Doug Álisson

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Aprendi...

Aprendi com Cazuza
Que o tempo não para
Aprendi com Lenine
Que a vida é tão rara

Aprendi com o Skank
A deixar a vida me levar
Aprendi com Zé Ramalho
Que sexo é assunto popular

Aprendi com os Paralamas
Que cada instante é quase eterno, passa devagar
Aprendi com Chitãozinho e Xororó
Que sinônimo de amor é amar

Aprendi com Los Hermanos
Que toda rosa é rosa, porque assim ela é chamada
Aprendi com Flávio José
Que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada

Aprendi com os Titãs
Que ainda há de haver saída
Aprendi com Raul Seixas
Que é de batalhas que se vive a vida

Aprendi com o Barão Vermelho
Que quem tem um sonho não dança
Aprendi com Renato
Que quem acredita sempre alcança

Aprendi com Natiruts
Que não há tempo para viver em vão
Aprendi com Geraldo Vandré
Que somos todos iguais, braços dados ou não

Doug Álisson

terça-feira, 12 de abril de 2016

Ai, Se Tu me Queresse

Ai, se tu me quisesse
Ai, se tu me queresse
Se paixão tu tivesse
Talvez inté chovesse
Quando tu me propusesse
Dizendo que tu carece
De mim num dia desse

Se tu diz: "tu merece"
E teu amor tu me cedesse
Talvez com a minha prece
Deus do céu inté descesse
Pra vê o que acontece
Com o amor que tu me desse
Caso isso acontecesse

Se tu enfim me dissesse
O que me é de interesse
E se tu me expusesse
Que enfim tu percebesse
Se me amar tu pudesse
Não há quem se opusesse
Caso, então, isso ocorresse

Mas se tu me viesse
Dizendo que entendesse
E não mais me quisesse
Talvez isso doesse
Mas pra que meu amor cesse
Só se um mal tu me fizesse
Pra que eu, enfim, morresse

Doug Álisson

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ela e Eu

Eu era pessoa exata
Ela, pessoa humana
Eu era "Coração Bobo"
Ela, "Morena Tropicana"


Ela era a professora
Eu, o aluno
Ela era o momento certo
Eu, o inoportuno

Eu era o folk
Ela, rock pesado
Eu era pouco
Ela, um bocado

Ela era a inspiração
Eu, o poeta
Ela era a Minnie
Eu, o pateta

Eu era o sol
Ela, a lua
Eu era estudar
Ela, brincar na rua

Ela era Bonjour
Eu, Goodbye
Ela era país da Europa
Eu, o Paraguai

Eu era a guerra no Iraque
Ela, a paz mundial
Eu era oração substantiva
Ela, adverbial

Ela era Picasso
Eu, Romero Britto
Ela era trabalho pronto
Eu, o manuscrito

Eu era o Brasil
Ela, a Alemanha
Eu era feijão com arroz
Ela, uma bela lasanha

Ela era constância
Eu, efemeridade
Ela era choro de alegria
Eu, de saudade

Eu era a partida
Ela, a chegada
Eu era só o queijo
Ela, com goiabada

Ela era champagne
Eu, vinho barato
Ela era muito fofa
Eu, muito chato

Eu era brisa leve
Ela, vendaval
Eu era dia útil
Ela, o carnaval

Ela está feliz
Eu sigo meu caminho
Ela tem alguém
Eu sigo sozinho

Doug Álisson

terça-feira, 29 de março de 2016

Tristeza

O mundo prega a felicidade
E que nós devemos ser felizes
Mas quem tem essa habilidade?
Quais podem ser os tais juízes?

Um mundo que vive em depressão
Também vive em hipocrisia
Querendo fazer a imposição
De uma desconhecida alegria

A alegria pode até ser
A melhor coisa que existe
Mas pra realmente se viver
Também é preciso ficar triste

Sem a tristeza não teria saudade
Mas também nem arrependimento
Sem a tristeza não haveria bondade
Que surge quando há um sofrimento

Pois também tem grande valor
Essa tal dessa tristeza
Que, apesar de não ser indolor,
Também possui uma beleza

Doug Álisson

terça-feira, 15 de março de 2016

Soneto da Saudade

Quem me dera fostes tu, ó saudade
Passageira tal como uma avenida
Efêmera como é a nossa vida
Onde só queremos felicidade

Mas tu insistes com tua grande maldade
Mas tu insistes em ser uma atrevida
Apenas por não seres resolvida
Tu insistes em dares continuidade

Apesar que o povo muito se esquece
A saudade além de tudo nos aquece
Assim como faz a mais bela chama

Também a saudade afasta e acolhe
Mas sendo uma pena que não se escolhe
Sentir tanta saudade de quem se ama

Doug Álisson

terça-feira, 8 de março de 2016

Lugar de Mulher É Onde Ela Quiser #DiaInternacionalDaMulher

Sim, você pode dar flores
Sabendo da importância desse dia
Sim, você pode dar chocolates
Mas que não é esse o motivo da alegria

Sim, você pode parabenizar
Fazendo e mostrando o seu teatro
Mas melhor seria parar com o machismo
Nos outros trezentos e sessenta e quatro

Pois as mulheres não precisam disso
Não apenas por um momento
Enquanto que os casos de violência
Todos os dias sofrem um aumento

Sabe, esse dia foi feito
Como forma de lembrança
Para lembrar o que a cada dia
Com luta, uma mulher alcança

Lembrar o que elas vêm alcançando
Mesmo sem reconhecimento
Lembrar o que elas vêm conquistando
Mesmo com tanto sofrimento

E para deixar bem claro
Que o lugar de mulher
Sempre vai ser, meu caro
Onde ela quiser

Doug Álisson

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Teu Fonema

Caso não tenha percebido
Já te fiz muito poema
Caso não tenha notado
Todos te tem como tema

Mas então que surge
Um tremendo problema
Marcar ou não marcar
Este é o meu dilema

Dessa tal de conquista
Não entendo o sistema
Pois não sei ser direto
Nem gosto de telefonema

Tenho que fazer algo
Bolar um estratagema
E quem sabe algum dia
Te convido pro cinema

"Eu acho que te amo"
Acabou virando um lema
Desde quando eu te vi
Tal qual a de Ipanema

E se isso não for amor
Então tenho um teorema
Vei ver que eu apenas
Gosto do teu fonema

Doug Álisson

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Falta do que Nunca se Teve

Já sentiu falta
De algo que nunca teve?
Você queria fazer 
Mas algo te deteve?

Não tem medo de falar
Mas sim do que vai ouvir
Como não tem medo de altura
Mas tem medo de cair

Tem medo de se declarar
E não ser correspondido
Tem medo de estragar
A amizade com o pedido

Mas se você não tentar
Dizem que nunca irá ter
Porém falar é fácil
O difícil é fazer

Então você continua
Tendo apenas na sua mente
Torcendo para que o amor
Desperte de repente

Você se sente preso
Nesse beco sem saída
Torcendo pra que uma reviravolta
Ocorra na sua vida

Quem sabe não acontece
Igual os filmes e novelas
Onde todos os prisioneiros
Encontram suas Lisbelas

Você que lê esse poema
Que está com o coração doendo
Quero que saiba de uma coisa
Saiba que eu te entendo

Doug Álisson

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Amor Rotulado

Tanta gente querendo se amar
Mas a sociedade não deixa
Pois esta mesma se queixa
Dizendo que não é natural

Que esse tal amor é mau
Só por ser um pouco diferente
E de acordo com o que se mente
O "amor" deles é que é normal

Mas eles querem, afinal
Que o amor seja rotulado
Separar o certo do errado
E pôr um ponto final

E em nome do amor "certo"
Querem transformá-lo em loucura

Mas falo aqui de peito aberto
O amor não está na censura

Doug Álisson